quinta-feira, 19 de maio de 2011

ENTREVISTA:ORLANDO DUARTE PARA ANTENA1


ORLANDO DUARTE NUMA ENTREVISTA ESCALDANTE PARA A ANTENA 1/RECORD. DECIDIDAMENTE CADA VEZ MAIS VOZES SE REVOLTAM CONTRA A DESCONTEXTUALIZAÇÃO DO FUTSAL E AS SUAS RESPETIVAS ORGANIZAÇÕES, FPF,  UEFA, FIFA EM QUE ESTÃO INSERIDOS. 

Ainda há muitos passos que o futsal tem de dar para se impor definitivamente?
ORLANDO DUARTE – Há uma coisa importante. Os clubes deixaram de olhar para o umbigo deles e começaram a olhar para o futuro imediato. Reuniram-se todos e a intenção é muito boa. Espero que vão em frente e lutem por esta modalidade. Há outra coisa: quando havia uma federação internacional, foi mais ou menos desativada pela FIFA. Aglutinou-se o futsal mas não foi para o desenvolvimento do futsal. Foi mais para o controlar. Não se percebe, por exemplo, como é que a UEFA organizou um Europeu de sub-21 há 3 anos e agora não se sabe quando e sequer se vai haver próximo. Não há competições para jovens nem para equipas femininas.
Acha que isso é uma estratégia da FIFA e da UEFA?
ORLANDO DUARTE – A intenção é a de controlar o crescimento do futsal. Assumindo que não queriam que se desenvolvesse muito. Todos os anos na confederação sul-americana há um campeonato feminino e outro de sub-20. Na Ásia a mesma coisa. Só na Europa e em África é que não existe nada. E em África percebe-se, pela enorme desorganização. Na Europa, que é a confederação melhor organizada, não se percebe. E a FIFA também não se preocupa com nada disto.
O que se espera que os clubes façam com estas reuniões?
ORLANDO DUARTE - Espero que marquem posição em relação ao que todos nós queremos, que é traçar uma estratégia futura para a modalidade. Por exemplo: é importante que haja gente que se ocupe com o futsal na FPF. Há lá pessoas que trabalham para o futebol, desalmadamente, mas também para o futsal, e o caminho não pode ser esse. Tem de haver uma estrutura só para o futsal, e foi por isso que lutei durante todos estes anos.
É hoje impossível ignorar que o futsal está num plano invejável. Acha que há um medo qualquer da FIFA e da UEFA em relação à modalidade?
ORLANDO DUARTE – É fácil perceber. No desporto escolar é de longe a modalidade mais praticada. As outras modalidades juntas não chegam ao futsal. Isto parece-me mais uma questão geracional. Há pessoas mais antigas que se calhar pensam que isto vai tirar gente ao futebol. Mas não é esse o problema. Temos muitos jovens que não saem de casa e do quarto e ficam agarrados às play stations. Saiam de casa, pratiquem futsal, futebol ou outra coisa qualquer! Só que há pessoas que não entendem bem isto, porque o futsal não vem tirar espaço ao futebol. Vamos dar condições àqueles que não fazem nada, ao contrário de nós, que jogávamos na rua. Tudo isso quase desapareceu. Essa atividade é o que os miúdos hoje não têm. Nas escolas o que é que temos? Só conheço duas que têm campos de futebol. As outras milhares tem campos de futsal. O desporto escolar é futsal, não é futebol. Depois, é tudo uma questão de saber canalizar para uma modalidade ou a outra. Isso é com eles, ou com os pais ou os professores. Eu joguei futebol, fui internacional, vejo alguns jogos, principalmente do Barcelona; mas também adoro futsal e reparo que ninguém retira espaço a ninguém. Só que tudo isso começa na FIFA. Enquanto estiverem lá esses cacos velhos, seremos sempre o parente pobre do futebol.
Sente que a modalidade está preparada para travar esse combate?
ORLANDO DUARTE - Claro que está. Isto é uma bola de neve. Cada vez os jornais têm de dar mais espaço ao futsal, porque as pessoas gostam. No jogo de Oliveira de Azeméis, na final da Taça, havia 4 mil lugares no pavilhão, mas se calhar eram muito mais os interessados em ver o jogo. Houve jogos de futsal no Pavilhão Atlântico com 10 mil pessoas. E depois, sem querer com isso fazer comparações, vemos jogos de futebol com 500 pessoas na liga principal. No fundo, há que ver o que as pessoas gostam e ir ao encontro delas.
Para ver o video da entrevista completa clique em baixo em Antena 1.
Fonte: Record e Antena 1

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