sábado, 12 de maio de 2012

ARTIGO MÁGICO RUI LANÇA: O TREINADOR TEM DE DECIDIR!



O treinador tem de decidir!

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'(...) Perante um público de dirigentes, chefias, coordenadores de equipas e projectos, coloca-se a seguinte questão:

- Imaginem que chegam a casa e os vossos dois filhos discutem porque apenas existe uma laranja em casa e ambos a desejam. Que fariam? Eles perguntam que vocês os ajudem a tomar a decisão de quem fica com a dita laranja. Que fazem?

Ainda não terminei a questão e chovem sugestões!
"- Corta ao meio!
- Ninguém a come!
- Fico eu com ela!
- Quem achou primeiro!
- Quem comeu a anterior não come esta!
(mais um conjunto delas)"

Questiona-se se há mais...e sai a pergunta: "O que ainda não fizeram para tomar essas decisões?". Algum silêncio...e alguém se lembra de dizer "Não perguntámos a razão, porque queriam a laranja". Podemos perguntar a um dos filhos e ele responde-nos "Preciso da casca para fazer um bolo". E o outro "Do conteúdo para um sumo". Muito mais se pode seguir e geralmente, a chegada a esta conclusão demora alguns segundos, ou minutos.'


Não passa de um conto utilizado para estimular esta competência, mas pretende fazer o transfer para a realidade que é:
- decide-se rapidamente sem termos as informações básicas para a tomada de decisão;
- as pessoas não querem saber da escuta activa;
- o cargo de chefia e a quem decide exige-se saber recolher informação;
- a partilha entre razões, interesses, vontades e fins, é uma das melhores formas de gestão e concretização de objectivos.

Aos treinadores, com ou sem tempo, pede-se que decidam. Decisões a todo o momento. Às vezes com mais tempo, outras vezes com tempo demais e por vezes, quase sem tempo. Descontos de tempo que dá para decidir lucidamente outras vezes, nem tanto. 
A verdade é que somos estimulados para decidir rápido. Na nossa vida, no nosso trabalho premeia-se quem aparece com a decisão mais rápida e no desporto, os atletas, treinadores, juízes e dirigentes têm de decidir rapidamente, face aos múltiplos acontecimentos que acontecem constantemente.

André Teixeira treinador dos Restauradores Avintenses da AF Porto

A decisão deve ser rápida, sim! Mas dentro do timing que possuímos para decidir. Se um árbitro pode decidir em 01'' não precisa de se precipitar em milésimos. Se um atleta verifica que tem 5'' para decidir o que faz, pode recolher mais informação do que se tivesse de decidir em 2''. Ao treinador a mesma coisa. E têm de aprender a gerir este (pouco ou muito) tempo que possuem para avaliar um conjunto de informação sobre inúmeros – muitos – elementos. 
Mais uma vez, no dirigismo, não partilhamos informação, sabendo por vezes que a razão e o interesse é o mesmo, mas preferindo ter mais adversários do que parceiros. Duplicam-se esforços, recursos financeiros e outros, baixam-se os impactos das acções e projectos, para finalmente, mostrar-se algo inferior.

Na área do treino, felizmente, a questão é diferente. Os treinadores de Futsal souberam-se formar para perceber o equilíbrio da decisão: emocional e racional. E não existem receitas se uma deve ter 40, 50 ou 70 % no peso. A ferramenta é saber que existe esse equilíbrio, aceitar e saber explorar e potenciar as forças e fraquezas de cada um na sua tomada de decisão. 

Artigo de Rui Lança

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